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14-02-2008  Relatório de operações  
Chade: cuidando dos feridos e reatando laços familiares
Com a manutenção da relativa calma que se instalou na capital do Chade, Niamey, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e a Cruz Vermelha do Chade puderam continuar levando cuidados médicos para os feridos, destinando adequadamente os mortos e cobrindo as necessidades humanitárias das pessoas deslocadas. Abaixo, o último relatório de atividades do CICV, referente ao período de 7 a 14 de fevereiro:

Situação Humanitária

Verifica-se uma relativa calma após os enfrentamentos entre grupos opositores armados e o Exército Nacional do Chade. Agora, moradores de Niamey que tinham buscado refúgio nos arredores da capital e em locais além da fronteira com Camarões começam lentamente a voltar. O CICV e a Cruz Vermelha do Chade mantêm sua presença junto às estruturas de saúde da cidade, onde os feridos começam a receber tratamento.

Atividades da Cruz Vermelha em Niamey

Médica

O CICV reforçou sua equipe médica com a chegada de um segundo cirurgião. A organização continua a dar apoio ao hospital "La Libertè", onde a primeira equipe médica havia chegado.

Com apoio da Cruz Vermelha do Chade e das seções da Suíça e de Luxemburgo da ONG Médicos Sem Fronteiras, médicos do CICV prestaram ajuda a mais de 950 feridos, entre civis e combatentes de ambos os lados.

Durante a semana seguinte aos combates, a Cruz Vermelha do Chade evacuou um total de 200 feridos de guerra para diversos hospitais da cidade e coletou 145 corpos, destinando-os ao sepultamento. Onde foi possível, tomaram-se medidas para identificar os corpos e colher informações para as famílias.

Situação dos civis em Niamey

O CICV e a Cruz Vermelha do Chade realizaram levantamentos sobre as necessidades dos civis que vivem na capital. Apesar da ferocidade dos combates, os danos estruturais foram limitados a certas áreas da parte sul de Niamey, como a área ao redor da estação nacional de rádio e a mesquita. Lojas e mercados reabriram e as pessoas puderam comprar bens básicos, que voltaram a ter os preços em níveis normais.

Detenção

Houve detenção de opositores. O CICV continua em contato com as autoridades do Chade para registrar as pessoas detidas e monitorar suas condições de detenção e tratamento. De acordo com o procedimento padrão do CICV, todo o diálogo do CICV com as autoridades de detenção é realizado de forma bilateral e confidencial.

Restaurando laços familiares

Muitas famílias foram separadas em meio à confusão do conflito. Além disso, muitas pessoas que viviam fora do Chade simplesmente perderam contato com seus familiares que viviam no interior do país.

No dia 12 de fevereiro, o CICV e a Cruz Vermelha do Chade lançaram um serviço que permite que a população de Niamey possa fazer ligações para seus parentes no exterior. Este serviço continuará funcionando até que as linhas telefônicas locais voltem a operar normalmente. Até agora, aproximadamente 100 famílias puderam ligar para seus parentes em 20 países diferentes, aliviando a angústia e sofrimento provocados pela incerteza.

O CICV, a Cruz Vermelha do Chade e a Cruz Vermelha de Camarões trabalham num sistema que permita que as pessoas que cruzaram as fronteiras do Chade também possam fazer contato com seus familiares.

Algumas equipes do CICV e a da Cruz Vermelha do Chade concentram-se nas necessidades mais imediatas provocadas pelas confrontações armadas recentes, enquanto outras equipes continuam seu trabalho habitual em outras zonas, particularmente no Leste do Chade.

A ofensiva contra a capital afetou a situação de segurança em todo o país causando uma redução nas atividades da maioria dos atores humanitários, que tiveram que deixar o local ou reduzir seus movimentos no Leste do Chade, onde mais de 400.000 refugiados dependem em grande medida de ajuda humanitária para sobreviver.

Após o ataque à cidade de Seleia, no Oeste de Darfur, onde um membro do CICV foi morto, estima-se que entre 10.000 e 15.000 pessoas, a maioria mulheres e crianças, tenham cruzado para a cidade de Birak e seus arredores. Em coordenação com outros atores humanitários, o CICV tem levado ajuda a os deslocados, assegurando que suas necessidades básicas sejam atendidas e que as estruturas mais permanentes de abrigo sejam erguidas. O CICV ajuda a organizar a transferência dos feridos para as estruturas médicas também neste contexto.

©ICRC/I. Kaloga
Colocando os deslocados novamente em contato com seus entes queridos em um centro telefônico em N'Djamena.
©ICRC/I. Kaloga

Kormanda, nos arredores de N'Djamena. Um voluntário da Cruz Vermelha recolhe informação sobre os deslocados a fim de avaliar suas necessidades.


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14-02-2008