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22-08-2006  Relatório de operações  
Líbano/Israel - boletim N°. 14 / 2006
Último relatório das atividades do CICV em terreno (22 de agosto)

Situação geral
Uma semana após o cessar-fogo, os libaneses que moram no sul do país estão se esforçando para lidar com as conseqüências dos combates que deixaram uma marca duradoura em suas cidades e vilarejos, mas mais cruel ainda em suas vidas e na vida de seus parentes.

Em 18 de agosto, centenas de famílias deram início a um processo de luto quando funcionários da defesa civil e voluntários de instituições de caridade locais trabalharam lado a lado para reabrir fileiras de sepulturas em massa em Tiro e transportar os restos mortais de volta para os vilarejos. Foram realizadas cerimônias de enterro coletivas em muitos lugares, inclusive em alguns povoados que agora são pouco mais que fileiras de casas arrasadas. Aita al Shaab, um grande povoado na região fronteiriça do sul, é testemunha da escala da destruição que assolou a área. Suas ruas em ruínas forneceram um duro pano de fundo para o fluxo silencioso de mulheres de véus negros que caminhavam em direção à mesquita local. Outros vilarejos ao longo da fronteira, como Khiam, Bent Jbeil e Maroun el Ras, tiveram o mesmo destino.

A intensa campanha de bombardeios deixou muitos restos de material explosivo espalhados pelos vilarejos e pela região rural em torno. As últimas 48 horas antes que o cessar-fogo entrasse em vigor foram as piores. Os danos aos edifícios, incluindo igrejas, mesquitas, hospitais e museus reduziram inteiros bairros e vilarejos a pilhas de destroços.

As colheitas, que não puderam ser irrigadas durante semanas por causa dos ataques aéreos, também sofreram em escala massiva. Centenas de cabeças de gado morreram de desidratação e seus corpos jazem podres nos campos abertos. À medida que os fazendeiros locais voltam para seus vilarejos, descobrem a extensão dos prejuízos e enfrentam a grande dificuldade de obter acesso à água. A rede de estações e bombas de água e de encanamento da região vai necessitar de muitos consertos antes de ser novamente operacional.

Para a população local, haverá uma longa espera antes que o fornecimento de energia seja restabelecido e a água saia das torneiras. Para as centenas de famílias que não têm nenhum telhado sobre suas cabeças, a espera será ainda mais longa.

Ação do CICV e seus parceiros

A extensão da destruição de cidades e vilarejos visitados na região próxima à fronteira está começando a ser documentada. À medida que os comboios do CICV tentam chegar a todos os cantos do sul do Líbano para entregar a ajuda de assistência à população, se defrontam com vários obstáculos e cenas desoladoras, algumas das quais já foram transmitidas para o mundo todo.

Em muitos lugares, um forte mau cheiro emana dos prédios destruídos, onde os cadáveres estão sob os escombros. Embora os voluntários da Cruz Vermelha Libanesa tenham recolhido dezenas de corpos durante os primeiros dias após o cessar-fogo, muitos ainda devem ser trazidos para fora dos escombros.

Perto da fronteira, delegados do CICV precisaram andar entre fileiras de tanques israelenses e soldados armados para entrar em pequenos povoados onde um punhado de pessoas idosas sobreviveu em total isolamento por muitas semanas.

Equipes de engenheiros do CICV, trabalhando com agências de água libanesas, visitaram estações de bombeamento e outros locais para avaliar os danos causados à rede de abastecimento de água. As agências responsáveis pelo fornecimento de água na região começaram a fazer grandes consertos, mas ainda levará um bom tempo para que a rede esteja funcionando novamente e soluções temporárias deverão ser encontradas. O CICV planeja transportar um gerador móvel de caminhão, de povoado em povoado, a fim de bombear água dos poços onde for possível.

Distribuições de comida e outros produtos de socorro foram realizadas no sul do Líbano em 19, 20 e 21 de agosto (Aita al-Shaab, Yarun, Bijada, Shamaa, Tair Harfa/Abu Shash, El Jibbain, Shihin e El Qlaile/Aamrane ao longo da Linha Azul).

De 15 a 18 de agosto os hospitais receberam cerca de 20 mil litros de combustível (El Bass, Balzan Camp, Jabal Amel, Hiram e Nabatiyeh) e vestimentas, suprimentos cirúrgicos, remédios para doenças crônicas e outros medicamentos (Nabatiyeh, Job Jannine, Tell Shiha, Bent Jbeil). Trezentas doses de vacina contra o tétano e 100 doses de imunoglobulina anti-tétano também foram entregues para o Ministério da Saúde, para o Hospital Nabatiyeh.

A maioria dos medicamentos exigidos para o tratamento de doenças crônicas precisa ser comprada no local, uma vez que eles não estão incluídos nos kits de emergência do CICV. Um suprimento desses remédios suficiente para um mês será doado a 200 mil pacientes. Também serão fornecidos equipamentos e produtos para bancos de sangue.

O CICV está se reunindo regularmente com a Federação Internacional e várias Sociedades Nacionais, tais como as da Turquia, Catar, Kuweit e Arábia Saudita, para trocar informações sobre os projetos conduzidos em parceria.

Transporte de pacientes e recuperação de corpos pela Cruz Vermelha Libanesa

Entre 12 de julho e 21 de agosto, a Cruz Vermelha Libanesa transferiu 984 feridos e transportou outros 7.684 casos médicos. Também recolheu 398 cadáveres.

Fatos e números

Desde o início da crise em 12 de julho, o CICV já:

  • Forneceu comida e outros produtos básicos para mais de 31 mil famílias;
  • Distribuiu 62 mil litros de combustível necessários para o funcionamento da infra-estrutura civil essencial, como hospitais, centros de saúde da Cruz Vermelha Libanesa e bombas de água em vilarejos isolados em torno de Tiro, Marjayoun e Rashaya, no sul do Líbano;
  • Forneceu remédios, equipamento cirúrgico e outros suprimentos médicos (para tratar dos feridos de guerra e das pessoas que sofrem de doenças crônicas) para dez centros médicos, incluindo hospitais e centros médicos da Cruz Vermelha Libanesa, principalmente no sul do Líbano;
  • Transportou de navio e de avião mais de 3.125 toneladas de suprimentos de socorros para a região (outras 11 mil toneladas de suprimentos devem ser distribuídas até meados de setembro).


Mais informações:
Dorothea Krimitsas, CICV Genebra, tel: +41 22 730 25 90 ou +41 79 251 93 18
Michèle Mercier, CICV Beirute, tel: +961 1 739 297 ou +961 35 42 839
Roland Huguenin, CICV Beirute, tel: +961 3 35 62 91
Bana Sayeh, CICV Jerusalém, tel: + 972 2 582 88 45 ou + 972 57 880 91 93

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